domingo, 25 de janeiro de 2015

PROTESTANTISMO E SECULARIZAÇÃO


Vez ou outra recebo mensagens por e-mail e, agora, por whatsapp sobre a questão da identidade de gênero, ou seja, que o sexo (masculino ou feminino) não é uma questão biológica, mas algo socialmente construído.

Em outras palavras, trata-se do velho problema entre "natureza e cultura" aplicado ao tema da sexualidade. Deixe-me formular melhor este problema, "até que ponto a nossa sexualidade é determinada por fatores biológicos (natureza) e até que ponto é determinada por fatores sociais ou culturais? 
Não pretendo oferecer resposta para questão aqui, mas chamar atenção para outro assunto. As mensagens que recebo são oriundas de pessoas que pertencem a igrejas evangélicas com um perfil conservador, em outras palavras, pessoas pertencentes ao protestantismo. 
Ou seja, hoje, os protestantes conservadores estão esperneando por causa destas coisas, mas está é a semente plantada na Reforma que está frutificando, trata-se de seu efeito colateral, a secularização, pois o discurso protestante ajudou a promover o desencantamento do mundo, elegendo a consciência e a razão do indivíduo como parâmetros para medir a vida, instaurando o individualismo e o racionalismo. Agora o mundo é pensado em termos de imanência, sem referência a algo que transcenda esta existência humana. Moral e ética são construídas socialmente sob critérios imanentes, e os protestantes, conscientes ou não, contribuiram para isto. 
O problema é que grande parte dos protestantes brasileiros não gostam de pensar, nem mesmo sobre as implicações filosóficas produzidas pela Reforma, os seus efeitos colaterais, a sua relação com a Modernidade, o impacto disto sobre temas como moral, ética, e liberdade.

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